Durante o 1º Mundial da Erva-Mate, realizado no início de junho (05 a 07), em Buenos Aires, na Argentina, a Emater/RS-Ascar, Instituição apoiadora da iniciativa, esteve representada pelo engenheiro agrônomo Ilvandro Barreto de Melo, do Escritório Regional de Passo Fundo. Barreto integrou a comissão internacional de jurados e palestrou sobre “Erva-Mate no Brasil:
História, Atualidade e Futuro”, abordando a trajetória do setor e os desafios para os próximos anos. A apresentação destacou temas como comunicação, inovação, sucessão geracional, qualidade, planejamento estratégico, valorização do produto e do território através da Indicação Geográfica (IG) e ampliação de mercados.
Ao todo, mais de 440 amostras foram avaliadas, com destaque para diversas marcas que integram polos ervateiros gaúchos, e que enviaram amostras para avaliação. “Os resultados nos dão um indicativo de que a erva-mate produzida no Rio Grande do Sul está seguindo um rumo adequado. A qualidade sempre pode evoluir, mas os dados mostram que estamos no caminho correto”, afirma o extensionista, ao ressaltar a participação expressiva de representantes do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile, entre produtores, indústrias, pesquisadores, especialistas e consumidores desse que é um dos produtos mais emblemáticos da cultura sul-americana. “O evento é um marco para a cadeia produtiva ervateira, oportunizando a troca de experiências entre diferentes realidades produtivas”, observa Barreto.
Na avaliação do extensionista, o concurso mundial representa uma etapa complementar ao trabalho desenvolvido diariamente pela Extensão Rural e Social junto aos produtores e às indústrias. “A técnica de avaliação sensorial é importante para validar todo o trabalho desenvolvido pela Emater com as Boas Práticas Agrícolas (BPA) e das Boas Práticas de Fabricação (BPF), a certificação e os processos de Indicação Geográfica. É uma oportunidade de verificar se o caminho que estamos seguindo está produzindo resultados efetivos na qualidade da erva-mate”, afirma. O ideal é que a avaliação sensorial passe a ser feita pelas indústrias ervateiras de uma forma rotineira, como balizador e de monitoramento do processo produtivo.
Segundo Barreto, o formato adotado na avaliação das amostras conferiu credibilidade aos resultados. As avaliações foram realizadas por um grupo numeroso de jurados de diversos países. “O processo ocorreu de forma totalmente às cegas. Cada amostra era identificada apenas por um código.
Isso permitiu uma análise baseada nas características apresentadas de cada produto avaliado”, explica, ao ressaltar que as avaliações consideraram aspectos visuais, olfativos e degustativos. Foram observadas características como fragmentação das folhas, presença de palitos, uniformidade do produto, aromas e atributos sensoriais da infusão, tanto fora quanto na cuia.
Além de promover a divulgação da erva-mate em âmbito internacional, o Mundial serviu como importante indicador da qualidade do produto. “Esse concurso fornece um parâmetro de análise qualitativa de como a erva-mate está chegando ao consumidor. A maioria das amostras foi classificada nas categorias Bronze, Prata, Ouro ou Gran Ouro, que exigem pontuações elevadas. Isso demonstra que, de forma geral, a erva-mate disponível hoje apresenta qualidade satisfatória”, destaca o extensionista.
INDICAÇÃO GEOGRÁFICA E CERTIFICAÇÃO DE QUALIDADE
Outro destaque da participação brasileira foi a apresentação da experiência da Indicação Geográfica (IG) Erva-Mate Região de Machadinho, registrada em novembro de 2025, após anos de trabalho envolvendo produtores, indústrias e entidades parceiras. A iniciativa abrange dez municípios (Barracão, Cacique Doble, Machadinho, Maximiliano de Almeida, Paim Filho, Sananduva, Santo Expedito do Sul, São João da Urtiga, São José do Ouro e Tupanci do Sul) da região Nordeste do Rio Grande do Sul e busca valorizar a origem, a identidade e a notoriedade do produto.
Duas ervateiras gaúchas ligadas à Indicação Geográfica (IG) Erva-Mate Região de Machadinho, trabalho que contou com a participação da Emater/RS-Ascar e outras instituições parceiras, receberam reconhecimento na avaliação internacional. A Barbaquá Machadinho, há um ano no mercado, produzida pelo processo artesanal barbaquá, conquistou medalha de prata, enquanto a Cambona 4, produzida no sistema convencional, recebeu medalha de bronze. “A Cambona 4 tinha apenas oito dias de seu lançamento quando participou do concurso. Mesmo assim, sendo o seu primeiro lote fabricado, conquistou uma classificação importante. Isso demonstra o potencial das ervas produzidas dentro do território da IG”, avalia o extensionista.
Outras duas ervateiras integrantes do programa de Certificação de Qualidade da Erva-mate da Emater/RS-Ascar, Ximango de Ilópolis e Sabadin de Arvorezinha, conquistaram a premiação Gran Oro com suas ervas-mates inscritas na categoria Moída Grossa.
A Certificação da Qualidade da Erva-mate é pioneira no país e foi desenvolvida com o objetivo de qualificar o processo de elaboração da erva-mate, normatizado no Manual de Requisitos para a Certificação da Qualidade. São auditados aproximados 150 itens, que buscam garantir a adoção de Boas Práticas Agrícolas e de Fabricação, além de atender a outras normas e legislações para a obtenção de um produto com qualidade diferenciada.
RECONHECIMENTO
A forte participação de amostras gaúchas e os bons resultados obtidos pelas indústrias do Estado também foram vistos como uma validação das ações conduzidas ao longo dos anos junto à cadeia produtiva da erva-mate.
“A participação do Rio Grande do Sul confirma que as orientações técnicas, a regularização sanitária e os processos de qualificação adotados pelo setor estão contribuindo para melhorar a qualidade do produto”, observa.
Para o extensionista, o evento também permitiu avaliar o impacto do trabalho da Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) sobre a cadeia produtiva. “Os resultados fortalecem nosso trabalho junto aos produtores e às indústrias. Eles demonstram que as ações voltadas à melhoria da matéria-prima no campo e ao aperfeiçoamento dos processos industriais estão gerando retorno para o setor”.
Um dos pontos destacados pelo extensionista, foi a importância das Boas Práticas Agrícolas e de Fabricação (BPAs) e (BPFs), pilares do trabalho realizado pela Emater/RS-Ascar junto à cadeia ervateira. Segundo ele, a qualidade da erva-mate começa ainda na propriedade rural, durante o cultivo, a colheita e o transporte da matéria-prima. Na indústria, as boas práticas seguem orientando todas as etapas de processamento. “O objetivo é melhorar a qualidade do produto e garantir segurança alimentar ao consumidor. A qualidade da erva-mate começa no campo e continua dentro da indústria. BPA e BPF são ferramentas fundamentais para alcançar esses resultados”, ressalta.
No Rio Grande do Sul, a formação em BPF é exigida pela Vigilância Sanitária e integra as estratégias de qualificação das empresas do setor.
PROTAGONISMO GAÚCHO
Além das discussões técnicas, chamou a atenção dos participantes brasileiros a forte presença de jovens, crianças e famílias consumindo mate na Argentina. “Havia muitos jovens participando do evento, além de pais e filhos compartilhando o hábito do mate. Essa transmissão cultural entre gerações parece ocorrer com mais intensidade do que percebemos no Brasil”, relata.
A constatação levou o extensionista à reflexão sobre a necessidade de aproximar as novas gerações da erva-mate, seja por meio do chimarrão, do tererê ou do chá-mate. “Precisamos fortalecer essa conexão cultural dos Jovens com a erva-mate. Estamos falando da árvore-símbolo do Rio Grande do Sul e da bebida que representa nossa identidade. Valorizar essa herança cultural é essencial para o futuro do setor”, destaca.
Embora reconheça as dificuldades enfrentadas pelos produtores, especialmente em relação aos preços pagos pela folha verde, o extensionista diz acreditar no potencial de crescimento da atividade.
“Estamos vivendo um momento desafiador em relação à remuneração da matéria-prima, mas também enxergamos uma grande oportunidade. A erva- mate é um produto natural, saudável e com enorme potencial de expansão, tanto em novos mercados quanto em novas formas de consumo”, diz.
Ao reunir diferentes países, culturas e experiências em torno do erva-mate, o 1º Mundial da Erva-Mate demonstrou que o produto ultrapassa fronteiras e ganha cada vez mais relevância internacional. Para a Emater/RS-Ascar, os resultados obtidos reforçam a qualidade da produção gaúcha e oferecem subsídios importantes para orientar os próximos passos da cadeia produtiva, fortalecendo um setor que une tradição, identidade cultural e perspectivas de crescimento.
Foto: Franchesco de Oliveira Y Castro, estagiário de Comunicação da
Emater/RS-Ascar
Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues
Estagiário Franchesco de Oliveira Y Castro
