Segundo Donald Trump, acordo com Irã inclui a abertura imediata do estreito de Ormuz
Reprodução/White House
Assinatura do documento deve ocorrer na sexta-feira (19), na Suíça; conflito já dura quase quatro meses
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (14) que o acordo com o Irã para encerrar a guerra está concluído. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que a assinatura do documento deve ocorrer na sexta-feira (19), na Suíça.
Segundo Trump, o entendimento inclui a abertura imediata do estreito de Ormuz, rota marítima considerada essencial para o fluxo do petróleo mundial, e o fim do bloqueio naval imposto pelo governo americano na região.
Em uma publicação na rede Truth Social, o republicano disse que já autorizou a retirada das restrições. Ele também incentivou a retomada da circulação marítima, destacando a importância da livre navegação de embarcações. “Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, escreveu ele.
As declarações foram reforçadas por Sharif, que afirmou que todas as operações militares foram encerradas de forma imediata e permanente em diferentes frentes do conflito, incluindo o Líbano.
A emissora estatal iraniana, por sua vez, afirma que Ormuz pode ser reaberto em até 30 dias. Além disso, o Irã teria imposto condições que levaram os EUA a aceitar o acordo de paz. Segundo a versão divulgada por Teerã, o tráfego marítimo no Golfo será regulamentado pelo próprio Irã, em coordenação com Omã.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou que o bloqueio naval americano será encerrado imediatamente e informou que o texto do memorando de entendimento será divulgado após a assinatura oficial do acordo.
Ele acrescentou que as negociações para um acordo definitivo devem ocorrer ao longo de um prazo de 60 dias, ressaltando que o memorando não representa confiança no “inimigo” e que o Irã se reserva o direito de responder a eventuais violações do acordo e que as Forças Armadas do país permanecerão em estado de alerta.
O que se sabe sobre o acordo?
Até o momento, EUA e Irã não divulgaram oficialmente o texto do memorando que prevê o fim do conflito, que já dura quase quatro meses. No entanto, informações publicadas por veículos internacionais e atribuídas a fontes dos dois governos apontam alguns dos principais pontos que estariam previstos no acordo:
- A reabertura imediata e sem cobrança de taxas das embarcações que passam pelo estreito de Ormuz após a assinatura do acordo;
- O estabelecimento de um novo cessar-fogo na região, incluindo no Líbano, com duração estimada de 60 dias;
- Flexibilização gradual das sanções econômicas impostas ao Irã;
- Saída das forças militares americanas das proximidades do Irã;
- Compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares;
- Suspensão de restrições à navegação e ao comércio marítimo na região;
- O Irã não receba dinheiro de seus ativos congelados até que cumpra sua parte do acordo.
Anteriormente, Trump afirmou em uma publicação nas redes sociais que esperava uma conclusão rápida e pacífica para as negociações, embora tenha destacado que o governo americano dispõe de uma “alternativa definitiva, que espera nunca precisar utilizar”.
O presidente dos EUA também declarou que, “no momento apropriado e quando tudo estiver calmo”, o país pretende recolher o material nuclear enterrado sob montanhas de granito e destruí-lo.
Como as negociações chegaram a este ponto?
As negociações ocorrem após uma nova escalada de tensão entre EUA e Irã. Na semana passada, os dois países voltaram a trocar ataques, mesmo sob um acordo de cessar-fogo.
O aumento das hostilidades teve início após a queda de um helicóptero militar americano na região do estreito de Ormuz.
Washington atribuiu o episódio ao Irã e respondeu com bombardeios contra sistemas de defesa e radares do país. Teerã, por sua vez, retaliou com ataques no Golfo Pérsico. O governo iraniano também anunciou o fechamento do estreito de Ormuz e chegou a afirmar que os confrontos comprometiam as negociações de paz em andamento.
O cenário começou a mudar na quinta-feira (11), quando Trump anunciou o cancelamento de uma nova ofensiva militar contra o país persa. Segundo o presidente americano, a decisão foi tomada após negociadores alcançarem consenso sobre pontos considerados centrais para o acordo destinado a encerrar o conflito.
Do R7
