© Câmara Municipal de Afonso Claudio/Divulgação
Teste Imunoquímico Fecal passa a ser referência nacional para diagnóstico precoce da doença, aumentando as chances de cura e fortalecendo o combate a um dos cânceres que mais matam no país.
Uma mudança histórica anunciada pelo Ministério da Saúde pode salvar milhares de vidas nos próximos anos e ampliar o acesso à prevenção de um dos cânceres que mais matam no Brasil. A partir de agora, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a contar oficialmente com um novo protocolo nacional para rastreamento do câncer colorretal, utilizando o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.
A medida representa um avanço importante na luta contra a doença, considerada atualmente o segundo tipo de câncer mais frequente no país, excluindo os tumores de pele não melanoma. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deve registrar cerca de 53,8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028.
Mais do que números, são milhares de famílias impactadas por um diagnóstico que, muitas vezes, chega tarde demais.

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Especialistas alertam que a maioria dos pacientes descobre o câncer colorretal em estágios avançados, quando as chances de tratamento e cura diminuem drasticamente. Um estudo recente estima que as mortes pela doença podem quase triplicar até 2030 caso não haja ampliação das estratégias de prevenção e diagnóstico precoce.
É justamente nesse cenário que o novo protocolo ganha importância.
O Teste Imunoquímico Fecal, conhecido como FIT, é um exame simples, moderno e altamente eficaz, capaz de identificar pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes — um dos primeiros sinais de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.
Segundo o Ministério da Saúde, o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para detectar alterações suspeitas, tornando-se uma ferramenta fundamental para ampliar o diagnóstico precoce e reduzir a mortalidade pela doença.
Diferente dos antigos exames de sangue oculto, o FIT utiliza anticorpos específicos para detectar sangue humano, aumentando significativamente a precisão do resultado.
Outro diferencial é a praticidade.
O paciente recebe um kit para coleta em casa, sem necessidade de preparo intestinal, dietas restritivas ou procedimentos invasivos. Apenas uma amostra é suficiente para análise laboratorial. Caso o exame apresente resultado positivo, o paciente será encaminhado para exames complementares, como a colonoscopia — considerada o padrão-ouro na avaliação do intestino.
Além de permitir a visualização direta do cólon e do reto, a colonoscopia também possibilita a retirada de pólipos durante o procedimento, evitando que determinadas lesões evoluam para câncer.
Com a adoção do FIT como protocolo nacional, o Ministério da Saúde estima ampliar o acesso à prevenção para mais de 40 milhões de brasileiros, fortalecendo uma política pública voltada ao cuidado preventivo e à detecção precoce da doença.
A nova diretriz foi elaborada por especialistas e recebeu parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), consolidando um passo importante para modernizar o rastreamento do câncer colorretal no país.
Mais do que um novo exame, a iniciativa representa uma oportunidade concreta de salvar vidas através da prevenção. Porque, quando o câncer é descoberto cedo, as chances de tratamento, recuperação e qualidade de vida aumentam significativamente.
Por Redação/Agência BrasilPublicado em 21/05/2026 21:50 - Atualizado em 21/05/2026 22:01
