Mesmo com números menores que nos anos anteriores, o Aedes aegypti continua presente e cuidados permanecem essenciais
Enquanto 20 cidades do Rio Grande do Sul encerraram 2025 sem nenhum registro de focos do mosquito da dengue, resultando em menor número de mortes e de pessoas infectadas, Erechim e os municípios da 11ª Coordenadoria de Saúde, ainda convivem com a presença do Aedes aegypti. Sobre essa situação, a diretora da Vigilância em Saúde, Ana Paula Fagundes da Silva, esclarece que “na nossa região todos os municípios possuem infestação pelo mosquito Aedes aegypti”.
Panorama atual da dengue
Em Erechim, o cenário da dengue apresenta números mais baixos do que nos anos anteriores, mas a atenção continua. Segundo Ana Paula, “percebe-se ao longo dos últimos anos uma queda gradual no número de casos na nossa região, resultado de muito trabalho. Entretanto, o período de sazonalidade, especialmente o verão, exige sempre alerta máximo, pois muitos fatores podem contribuir para um aumento no número de casos”.
Em 2026, até o momento, a cidade registra 53 casos em investigação, nenhum caso confirmado e não houve óbitos. Em 2025, Erechim teve 1.178 notificações, com 206 casos confirmados e um óbito. Na região da 11ª Coordenadoria de Saúde, foram registradas 1.882 notificações, 501 casos confirmados e dois óbitos. Já em 2024, Erechim teve 2.658 notificações, 855 casos confirmados e quatro óbitos, enquanto a região da coordenadoria registrou 4.213 notificações, 1.774 casos confirmados e quatro óbitos.
Previsão para zerar os focos do mosquito
Sobre a possibilidade de erradicação do Aedes aegypti, Ana Paula é categórica, “não, não existe hoje nenhuma previsão científica confiável ou horizonte temporal estabelecido em que Erechim e região possam zerar permanentemente os focos do mosquito da dengue. O mosquito Aedes aegypti é uma espécie adaptada ao ambiente urbano, que se reproduz em recipientes com água parada e tem grande capacidade de resistência”. Ela explica que, mesmo com intensas ações de controle, sempre há possibilidade de novos focos surgirem rapidamente se houver acúmulo de água limpa em ambientes residenciais, públicos ou industriais.
Entulhos e cuidados após a chuva de granizo
A cidade ainda enfrenta os efeitos do granizo, que deixou muitos entulhos espalhados e descarte inadequado de materiais e que, segundo a diretora, “esse cenário nos causa grande preocupação, uma vez que, se esses materiais estão dispostos de forma irregular na frente das residências, é plausível supor que haja também acúmulo semelhante no interior dos pátios. Tais materiais favorecem o acúmulo de água, podendo se transformar em potenciais reservatórios para a proliferação do mosquito transmissor da dengue”. Ela alerta que a situação piora com a ocorrência de chuvas frequentes e destaca que “diante disso, a conscientização da população e o descarte adequado desses materiais, especialmente das lonas, mostram-se medidas essenciais e urgentes neste momento, a fim de minimizar riscos à saúde pública e ao ambiente urbano”.
Para os moradores que ainda possuem entulhos em frente às residências ou no interior dos terrenos, Ana Paula recomenda medidas preventivas imediatas até que seja possível a realização da coleta. Entre as orientações estão manter os materiais cobertos ou acondicionados de forma a não permitir o acúmulo de água, perfurar ou drenar recipientes que possam reter água e, sempre que possível, acondicionar lonas em sacos de lixo ou mantê-las em locais cobertos.
Cuidados em residências
Além dos entulhos, outros pontos da casa podem se tornar criadouros, por isso a diretora orienta que piscinas sejam tratadas com pastilhas de cloro e filtradas semanalmente, vasos de plantas não utilizem pratinhos ou tenham areia nos pratinhos, caixas d’água sejam mantidas sempre vedadas e o quintal seja verificado semanalmente para eliminar qualquer reservatório de água.
Prevenção pessoal e vacinação
Além da eliminação de focos, a prevenção inclui o uso de repelentes e vacinação. Ana Paula lembra que uma semana tem aproximadamente 10.000 minutos, “que tal você guardar 10 minutinhos para verificar seu quintal e garantir a saúde da sua família?”
A vacinação contra a dengue segue disponível nas unidades básicas de saúde para crianças de 10 a 14 anos.
