Afirmação é de Jolcimar Veronesi, produtor de Jacutinga que recebeu o primeiro Cartão Cidadão do Programa Operação Terra Forte no Alto Uruguai
O solo é uma das bases da vida na Terra e preservá-lo pode ser a garantia de um futuro sustentável. Como alternativa prática e consequente incentivo à continuidade da agricultura, o Programa de Recuperação Socioprodutiva, Ambiental e de Incremento da Resiliência Climática da Agricultura Familiar Gaúcha, chamado de Operação Terra Forte, chega à fase de elaboração de diagnóstico e plano individual de ações integradas nas propriedades rurais selecionadas, além da entrega de aporte de recursos para a execução do planejamento.
Jolcimar Veronesi, produtor rural de Jacutinga, foi o primeiro contemplado com o Cartão Cidadão do Programa Operação Terra Forte na região do Alto Uruguai. A iniciativa, coordenada pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR) e executada pela Emater/RS-Ascar, garante auxílio financeiro de até R$ 30 mil, em parcela única, destinado a ações de recuperação produtiva, social e ambiental.
“Gosto muito do solo, porque o maior patrimônio de uma propriedade, de um agricultor, é o solo, a terra onde ele consegue produzir alimentos. A responsabilidade do agricultor, pelo menos é assim que eu penso, não é só produzir renda e alimentos para si; eu também tenho a responsabilidade de produzir alimentos para a sociedade e para o mundo”, conta o produtor rural em entrevista à reportagem do Jornal Bom Dia.
Quem planta, colhe
Na propriedade de Jolcimar Veronesi, o recurso de R$ 30 mil destinado pelo programa deverá ser aplicado principalmente na recuperação de uma área de sete hectares. O planejamento inclui a realização de análise de solo, correção com calcário, aplicação de fertilizantes, implantação de cobertura vegetal e execução de práticas de conservação, como o terraceamento em áreas com registro de erosão.
Contemplando diferentes perfis de produtores, cada plano é elaborado conforme as atividades promovidas nas propriedades contempladas. “No meu caso, que trabalho com soja, milho e trigo, o foco é a recuperação do solo para produção de grãos. Outros agricultores terão projetos voltados para pastagens ou pomares, por exemplo”, explica Jolcimar.
Conforme Anderson Ogliari, integrante da equipe do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar em Jacutinga, esse aporte de recursos possibilita que os produtores invistam na recuperação socioprodutiva, ambiental e de incremento de resiliência da agricultura. “Após um período de ocorrência de fenômenos climáticos intensos que atingiram as áreas de produção, houve um decréscimo na renda dos produtores, que ficaram sem recursos para recuperar as condições ideais de solo para produção, também para recuperação ambiental e outras ações como produção de alimentos para a família e saneamento básico”, explica.
O acompanhamento técnico, promovido pela Emater, definiu as intervenções prioritárias e orientou a elaboração do projeto. Técnicos da entidade permanecem responsáveis pelo suporte durante a execução das atividades previstas.
Sustentar um futuro sustentável
Além das ações produtivas, o plano também contempla medidas ambientais. Jolcimar destaca que, nesse contexto, o planejamento inclui o plantio de mudas de árvores nativas ao longo de um curso d’água que atravessa a propriedade, com o objetivo de contribuir para a proteção e conservação da área de preservação permanente.
O projeto inclui ainda a recuperação de uma fonte de água e a implantação de um sistema de irrigação para a horta, envolvendo a instalação de bomba, encanamentos, caixa d’água e parte elétrica, itens que deverão ser adquiridos com os recursos do programa e posteriormente comprovados por meio de prestação de contas.
“Meu objetivo é buscar maior eficiência na minha propriedade, também servir de referência para outros produtores. Que a partir do que for executado nesses sete hectares, onde eu vou fazer essa recuperação do solo, outros agricultores se empolguem também e busquem por melhorias, porque eu sou um cara apaixonado pela terra, pelo solo”, completa Jolcimar.
Para o produtor, o Programa representa a oportunidade de aplicar o conhecimento da prática, na prática. “Muitos agricultores sabem o que precisa ser feito, mas não têm capital para investir. Esse recurso permite colocar em prática as melhorias, com acompanhamento técnico e foco em resultados no solo, no meio ambiente e na área social”, conclui.
